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Macapá ,19/09/2026

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DRACO APREENDE CERCA DE R$ 2 MILHÕES EM DINHEIRO VIVO E ATINGE FINANÇAS DO CRIME ORGANIZADO NO AMAPÁ

Operação com apoio do Gaeco faz apreensão recorde em espécie; outros R$ 3 milhões foram bloqueados e investigação aponta movimentação financeira ligada a facção criminosa


DRACO APREENDE CERCA DE R$ 2 MILHÕES EM DINHEIRO VIVO E ATINGE FINANÇAS DO CRIME ORGANIZADO NO AMAPÁ PC-AP - AF/ILUSTRATIVA

MACAPÁ — AMAPÁ — Uma ofensiva contra as finanças do crime organizado resultou na apreensão de cerca de R$ 2 milhões em dinheiro vivo, apontada pela Polícia Civil como a maior apreensão de numerário já realizada no Amapá.

A operação foi conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Amapá.

De acordo com o delegado Estéfano Santos, titular da DRACO e responsável pela operação, além dos aproximadamente R$ 2 milhões encontrados em espécie, a Justiça determinou o bloqueio de outros R$ 3 milhões mantidos em contas bancárias.

Com isso, as medidas patrimoniais alcançam aproximadamente R$ 5 milhões.


“Essa aqui é a maior apreensão em dinheiro vivo na história do Amapá. Até então a gente não tinha um numerário dessa importância. Isso mostra a audácia do crime organizado, que vem se aperfeiçoando cada dia mais”, afirmou o delegado.

A investigação é desdobramento de uma operação realizada em maio do ano passado e passou a concentrar esforços sobre uma célula considerada estratégica de uma grande facção criminosa de origem carioca, com atuação no Amapá e, segundo a investigação, envolvimento com o tráfico local e internacional de drogas.

Durante aproximadamente quatro semanas, investigadores monitoraram uma empresa apontada como sendo utilizada de fachada. Conforme a apuração, o estabelecimento recebia grandes quantias e realizava sucessivos saques.

Com o avanço das diligências, foram solicitadas medidas judiciais, posteriormente deferidas pela Justiça, permitindo o cumprimento dos mandados.

Um dos pontos que mais chamou a atenção dos investigadores foi o método empregado para tentar ocultar o transporte do dinheiro.

Segundo a DRACO, os valores saíam de Santarém, no Pará, e chegavam ao Amapá por meio de embarcações.

O dinheiro era acondicionado em caixas identificadas com a logomarca de uma loja de motocicletas. Sobre as cédulas eram colocadas capas de chuva utilizadas por motociclistas, numa tentativa de fazer a carga parecer composta apenas por mercadorias ou acessórios.

“Eles mascaravam os valores dentro de caixas com logo de loja de motocicleta. E em cima, colocavam capas de chuva de motoqueiro. Se alguém abrisse por curiosidade, iria pensar que era apenas peça de moto”, explicou Estéfano Santos.

Durante a operação, duas pessoas foram presas em flagrante, segundo as informações divulgadas, por fatos relacionados a porte de arma e lavagem de capitais.

As investigações continuam para identificar a origem e o destino dos recursos, reconstruir a movimentação financeira e estabelecer a participação de outros possíveis integrantes no esquema.

O ataque ao patrimônio é considerado uma das principais estratégias utilizadas pelas forças de segurança contra organizações criminosas, uma vez que busca interromper o fluxo financeiro utilizado para sustentar atividades ilícitas.

Após manifestações públicas relacionando a apreensão a possíveis práticas eleitorais, DRACO e GAECO divulgaram Nota de Esclarecimento afirmando que esse não é o objeto da investigação.

“O procedimento apuratório conduzido pela DRACO, com apoio do GAECO, não tem por objeto a investigação de crime eleitoral. Eventual referência pública a ‘boca de urna’, ‘compra de votos’ ou outro crime eleitoral NÃO corresponde ao objeto da apuração.”

Portanto, conforme manifestação oficial dos órgãos responsáveis pela investigação, a operação está relacionada ao combate ao crime organizado e à lavagem de capitais, e não à apuração de crime eleitoral.

A apreensão de aproximadamente R$ 2 milhões em espécie, somada ao bloqueio judicial de outros R$ 3 milhões, representa um dos maiores golpes financeiros já aplicados pelas forças de investigação contra estruturas do crime organizado no Amapá.

🪶 Jornalista Aldenor Filho

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