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Macapá ,05/09/2026

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DELEGADOS DA PF PEDEM IMPEDIMENTO DE GONET E REAGEM A PROCEDIMENTO ABERTO PELA PGR

Associação que representa mais de 2,3 mil delegados federais critica apuração sobre relatório da Operação Compliance Zero; procurador-geral é citado em material relacionado ao caso Banco Master


DELEGADOS DA PF PEDEM IMPEDIMENTO DE GONET E REAGEM A PROCEDIMENTO ABERTO PELA PGR AF/ILUSTRATIVA

Brasília, 5 de setembro de 2026 – A crise institucional envolvendo as investigações do Banco Master ganhou um novo capítulo neste sábado (5). A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) pediu que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido de atuar nos procedimentos relacionados aos fatos em que ele próprio aparece citado no âmbito da Operação Compliance Zero.

A manifestação representa uma reação à abertura, pela Procuradoria-Geral da República (PGR), de um Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial relacionado à elaboração de relatório da Polícia Federal que revelou registros e mensagens envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e autoridades.

A ADPF também defendeu o arquivamento do procedimento aberto pela PGR. Segundo a entidade, os delegados responsáveis pelo trabalho policial atuaram no cumprimento de determinações judiciais e dentro dos limites estabelecidos na investigação.

A associação afirmou receber com “indignação e preocupação” a iniciativa da Procuradoria e sustenta que a abertura do procedimento pode produzir efeito intimidatório sobre os investigadores. A entidade informou ainda que dará suporte aos delegados envolvidos.

Paulo Gonet comunicou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, a instauração do procedimento de controle externo.

Entre os pontos que deverão ser esclarecidos está a forma como o relatório requisitado pelo ministro André Mendonça foi elaborado e se teria ocorrido alguma “ordem ou interferência externa” capaz de comprometer seu conteúdo.

A PGR, entretanto, sustenta que o procedimento não significa que policiais ou ministros estejam formalmente sendo investigados. Segundo informações divulgadas sobre a medida, trata-se inicialmente de acompanhamento destinado a verificar as práticas adotadas durante a investigação.

É justamente nesse cenário que a ADPF levanta a questão do impedimento: como o próprio nome de Gonet aparece citado no material que está no centro da controvérsia, a associação entende que o procurador-geral não deveria atuar nos procedimentos referentes aos fatos que diretamente o mencionam.

A pressão sobre o procurador-geral vai além da manifestação dos delegados.

Uma reclamação disciplinar registrada no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) sob o número 01.006659/2026 pede o afastamento cautelar de Gonet, além de seu impedimento para atuar nos procedimentos relacionados ao Banco Master.

Nesta sexta-feira (4), outro pedido foi apresentado ao CNMP pelos advogados Paulo Faria e Filipe Oliveira. Eles requerem o afastamento de Gonet por 120 dias e a abertura de processo disciplinar para apuração de sua conduta.

Importante destacar que esses pedidos não significam que Gonet tenha sido afastado ou responsabilizado. As representações dependem de análise dos órgãos competentes, e o procurador-geral permanece no exercício do cargo.

A crise também chegou diretamente à presidência do Supremo.

Edson Fachin determinou prazo de cinco dias para que André Mendonça e Paulo Gonet se manifestem sobre alegações de supostas irregularidades relacionadas à condução do caso Master. As questões foram levadas ao presidente da Corte pelo ministro Alexandre de Moraes.

O episódio ocorre depois da retirada do sigilo de material da Polícia Federal contendo mensagens recuperadas do celular de Daniel Vorcaro. Os registros incluem referências a integrantes de diferentes instituições, entre eles Moraes e Gonet.

Com a manifestação dos delegados federais, a controvérsia deixa de envolver apenas os integrantes do Supremo e da Procuradoria-Geral da República e passa a produzir uma reação pública de representantes da própria estrutura investigativa federal.

O ponto central agora será definir quem poderá conduzir ou fiscalizar as apurações com a necessária imparcialidade, diante das citações a autoridades que ocupam posições decisivas no sistema de Justiça.

Portal AF News – Informação com credibilidade e responsabilidade

Jornalista Aldenor Filho




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