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Macapá ,26/08/2026

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Operação Senhor das Armas mira esquema que desviava armas do depósito judicial para abastecer facção no Amapá

Investigação aponta participação de agentes públicos, adulteração de armamentos e movimentação suspeita de R$ 26 milhões; Polícia Civil cumpriu 23 mandados de busca e apreensão em Macapá


Operação Senhor das Armas mira esquema que desviava armas do depósito judicial para abastecer facção no Amapá PC-AP - AF/ILUSTRATIVA

Macapá (AP) – Uma investigação de quase três anos levou a Polícia Civil do Amapá a deflagrar, nesta terça-feira (25), a Operação Senhor das Armas, contra uma organização criminosa suspeita de desviar armas e munições mantidas sob custódia judicial. Foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão em Macapá.

As investigações começaram em 2023, após a prisão de um homem encontrado com aproximadamente seis armas irregulares. A análise do celular do suspeito levou os investigadores à possível origem do arsenal: o armário forte do Fórum de Macapá, onde estavam armas vinculadas a processos judiciais.

Segundo o delegado Estefano Santos, o principal investigado é um policial militar que estava cedido ao Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP) e exercia função relacionada à guarda dos armamentos. A suspeita é de que armas registradas como destruídas teriam sido retiradas clandestinamente. Outro servidor público também é investigado por possível participação na logística do esquema.

Após o desvio, os armamentos seriam encaminhados a uma oficina clandestina, onde números de série eram raspados e outras adulterações realizadas. O armeiro apontado pela investigação foi preso em flagrante durante a operação. Posteriormente, as armas seriam anunciadas por meio de catálogos em aplicativos de mensagens.

A Polícia Civil estima preliminarmente que cerca de 100 armas por ano possam ter sido desviadas. Parte significativa teria como destino integrantes da Família Terror do Amapá (FTA). O número exato ainda será apurado.

A investigação também identificou movimentações financeiras suspeitas que podem chegar a R$ 26 milhões, envolvendo depósitos fracionados, contas de terceiros, empresas e operações via PIX. A esposa do principal investigado, também policial militar, é investigada por possível participação na estrutura financeira.

Durante a operação, foram apreendidas duas espingardas em situação irregular, dois investigados foram afastados de suas funções públicas e houve recolhimento de armas funcionais e documentos institucionais. A Justiça também determinou medidas de bloqueio e sequestro de bens e valores.

As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos, compradores das armas, o volume total do material desviado e o caminho dos recursos financeiros. As responsabilidades serão individualizadas no decorrer do inquérito, assegurados o contraditório e a ampla defesa.

Portal AF News – Informação com credibilidade e responsabilidade

Jornalista Aldenor Filho




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