VORCARO PREPARA TERCEIRA TENTATIVA DE DELAÇÃO PREMIADA NO CASO BANCO MASTER
Após duas propostas rejeitadas, defesa do ex-controlador do Master muda estratégia e busca reabrir negociações; novo acordo dependerá da apresentação de informações relevantes e verificáveis
AF/ILUSTRATIVA Brasília – 10 de agosto de 2026
A defesa do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, prepara uma terceira tentativa de fechar um acordo de colaboração premiada no âmbito das investigações que envolvem a instituição financeira. A nova movimentação ocorre depois de duas propostas anteriores não avançarem e representa uma mudança de estratégia jurídica do empresário.
As informações divulgadas nesta segunda-feira (10) apontam que a defesa pretende retomar as tratativas praticamente do zero. O criminalista Daniel Bialski, que passou a integrar a equipe jurídica de Vorcaro, solicitou audiência com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso Master.
A intenção seria estabelecer uma nova interlocução antes da apresentação formal de outra proposta de colaboração.
O principal obstáculo enfrentado por Vorcaro é o histórico das negociações anteriores.
Em maio, a Polícia Federal decidiu não endossar a primeira proposta de colaboração. Segundo informações divulgadas à época, investigadores consideraram inconsistentes ou insuficientes os elementos apresentados quando confrontados com provas e indícios já reunidos durante a investigação.
Uma segunda proposta foi encaminhada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República no início de junho. A PF novamente rejeitou o material, considerando que ele não apresentava informações novas suficientes para justificar o acordo.
Agora, a defesa trabalha para construir uma terceira proposta.
Para que uma colaboração premiada avance, não basta ao investigado simplesmente manifestar disposição para falar.
As informações precisam ter utilidade para as investigações e ser passíveis de comprovação. No caso de Vorcaro, esse ponto ganha importância justamente porque as tentativas anteriores foram consideradas insuficientes pelos investigadores.
A terceira proposta, portanto, poderá depender da apresentação de fatos, documentos, operações, personagens ou caminhos financeiros capazes de acrescentar elementos efetivamente novos às apurações.
Até o momento, não existe acordo de delação premiada fechado ou homologado nessa terceira tentativa. O que está em andamento é uma movimentação da defesa para tentar reabrir as negociações.
A tentativa ocorre em uma fase delicada para Vorcaro e acrescenta um novo capítulo às investigações relacionadas ao Banco Master.
Caso a terceira proposta seja formalizada, caberá às autoridades avaliar se o conteúdo oferecido possui relevância suficiente para justificar os benefícios previstos em um eventual acordo de colaboração.
Depois de duas negativas, a questão central passa a ser outra: o que Daniel Vorcaro estaria disposto a revelar nesta terceira tentativa que ainda não tenha sido apresentado ou descoberto pelos investigadores?
A resposta poderá determinar não apenas o futuro da negociação, mas também abrir novos desdobramentos no caso Banco Master.
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Aldenor Filho – Diretor Jornalista




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