TECNOLOGIA CONTRA O CRIME: PF USA FERRAMENTAS AVANÇADAS PARA EXTRAIR E ANALISAR DADOS DIGITAIS
Perícia em celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos pode recuperar informações relevantes para investigações; soluções especializadas e recursos próprios auxiliam na produção de provas
AF/ILUSTRATIVA Brasília – 10 de agosto de 2026
Celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos tornaram-se peças cada vez mais importantes nas investigações criminais. Para transformar o conteúdo desses dispositivos em elementos de prova, a Polícia Federal (PF) dispõe de recursos especializados de perícia digital voltados à extração, preservação e análise de dados.
O trabalho dos peritos é fundamental principalmente em investigações nas quais aparelhos eletrônicos podem armazenar mensagens, documentos, fotografias, vídeos, registros de aplicativos e outros vestígios capazes de contribuir para a reconstrução dos fatos investigados.
Uma das etapas mais delicadas da perícia envolve dispositivos protegidos por senhas, mecanismos de segurança e criptografia. Nesses casos, podem ser empregadas ferramentas forenses especializadas, respeitando os procedimentos técnicos e as autorizações legais aplicáveis a cada investigação.
Entre as soluções internacionalmente conhecidas no setor está a tecnologia da Cellebrite, incluindo ferramentas da família UFED e soluções mais recentes destinadas à aquisição e análise forense de informações presentes em dispositivos móveis.
Outra tecnologia conhecida no mercado governamental é o GrayKey, desenvolvido para auxiliar autoridades e laboratórios forenses na obtenção de dados de determinados dispositivos móveis protegidos.
A capacidade efetiva de acesso, no entanto, depende de diversos fatores, como modelo do aparelho, versão do sistema operacional, configuração de segurança e nível de criptografia. Por isso, a utilização dessas tecnologias não significa que todo dispositivo possa ser automaticamente desbloqueado ou que qualquer informação apagada possa necessariamente ser recuperada.
Mais do que acessar informações, o trabalho pericial precisa assegurar a integridade do material examinado. Os procedimentos de informática forense buscam preservar os dados e documentar tecnicamente as etapas realizadas, permitindo que os resultados sejam posteriormente apresentados e analisados no âmbito da investigação e do processo judicial.
Quando tecnicamente possível, são produzidas cópias forenses dos dados para que a análise seja realizada sem comprometer o conteúdo original do equipamento.
A partir do material obtido, especialistas podem identificar informações relevantes e estabelecer relações entre diferentes elementos encontrados durante a investigação.
Além de ferramentas comerciais especializadas, estruturas de investigação e perícia podem utilizar soluções desenvolvidas ou adaptadas internamente para atender necessidades específicas das apurações.
Com o crescimento dos crimes praticados ou organizados por meios digitais, a perícia computacional passou a ocupar posição estratégica no combate a diferentes modalidades criminosas. Informações armazenadas em dispositivos eletrônicos podem contribuir para identificar envolvidos, reconstruir cronologias, localizar documentos e estabelecer conexões importantes entre investigados e fatos apurados.
O avanço tecnológico, entretanto, também representa uma disputa permanente: enquanto fabricantes aperfeiçoam mecanismos de proteção e criptografia, órgãos de investigação precisam atualizar continuamente técnicas e ferramentas forenses, sempre dentro dos limites estabelecidos pela legislação e pelas decisões judiciais.
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Aldenor Filho – Diretor Jornalista




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