27 SUPERINTENDENTES DA PF ASSINAM NOTA EM DEFESA DE ANDREI; CHEFES REGIONAIS FORAM INDICADOS PELO DIRETOR-GERAL
Manifesto ocorre em meio ao embate entre a cúpula da Polícia Federal e o ministro André Mendonça; o próprio Andrei Rodrigues já declarou no Senado que os 27 superintendentes foram indicados por ele e são de sua confiança
AF/ILUSTRATIVA Brasília – 7 de agosto de 2026
Os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal (PF) divulgaram uma nota conjunta em defesa da direção da instituição, comandada pelo diretor-geral Andrei Rodrigues. O manifesto, divulgado nesta quinta-feira (6), ganhou repercussão por ocorrer em meio ao ambiente de tensão entre a cúpula da corporação e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Um aspecto chama atenção no episódio: os chefes regionais que subscrevem o documento ocupam cargos de confiança dentro da estrutura administrativa da PF e foram indicados pelo próprio diretor-geral.
Essa relação não é apenas uma avaliação externa. Em novembro de 2025, durante audiência no Senado Federal, o próprio Andrei Rodrigues afirmou que os 27 superintendentes e os 14 diretores da Polícia Federal haviam sido indicados por ele e eram de sua confiança.
A informação acrescenta um elemento importante para a análise do manifesto. Embora a assinatura conjunta demonstre unidade institucional em torno da atual direção, o fato de os signatários integrarem uma estrutura de comando escolhida pelo próprio Andrei pode alimentar questionamentos sobre o peso político e administrativo da manifestação.
Isso, por si só, não invalida a posição dos superintendentes nem comprova falta de independência funcional. Entretanto, a relação hierárquica e a forma de composição da cúpula regional são informações relevantes para que o público possa avaliar o contexto em que o apoio foi apresentado.
No documento, os 27 superintendentes reafirmam confiança na direção da PF e defendem a preservação da independência técnica das investigações e da autonomia administrativa da instituição. O texto sustenta ainda que a atividade investigativa deve ser orientada pelos fatos, pelas provas e pela legislação, sem submissão a interesses políticos, ideológicos ou pessoais.
O manifesto surge em meio ao desgaste entre a direção da Polícia Federal e André Mendonça envolvendo decisões do ministro relacionadas a investigações sob sua relatoria.
Entre os pontos que provocaram reação interna estão determinações relacionadas ao encaminhamento de informações investigativas e ao acompanhamento de eventuais mudanças nas equipes responsáveis por apurações. A direção da PF tem defendido sua autonomia administrativa e operacional diante dessas medidas.
Desde que assumiu a direção-geral da Polícia Federal, em janeiro de 2023, Andrei Rodrigues promoveu uma ampla reorganização nos principais postos de comando.
Levantamento publicado em 2025 mostrou que, naquele momento, a gestão havia realizado mudanças nas 13 diretorias, na Corregedoria e em 26 das 27 superintendências regionais da instituição.
Posteriormente, o próprio diretor-geral afirmou perante o Senado que os 27 superintendentes em exercício haviam sido indicados por ele.
Dessa forma, a manifestação desta semana reúne justamente os responsáveis pelos comandos regionais da PF escolhidos durante a administração de Andrei Rodrigues.
O episódio coloca novamente no centro do debate público dois princípios que precisam coexistir dentro de uma instituição de Estado: de um lado, a defesa da autonomia e da independência técnica da Polícia Federal; de outro, a necessidade de transparência sobre as relações hierárquicas existentes entre aqueles que manifestam apoio público e a autoridade apoiada.
A repercussão do documento deve continuar em Brasília, especialmente diante do embate institucional envolvendo a direção da PF e integrante do Supremo Tribunal Federal.
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Aldenor Filho – Diretor Jornalista




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