CNMP DEMITE PROMOTOR JOÃO PAULO FURLAN APÓS PROCESSO POR CORRUPÇÃO ELEITORAL NO AMAPÁ
Decisão foi tomada por unanimidade nesta quinta-feira (6); processo disciplinar apurou suspeitas de compra de votos e transporte irregular de eleitores nas eleições de 2020
AF/ILUSTRATIVA Macapá (AP) – 6 de agosto de 2026
O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) decidiu, por unanimidade, nesta quinta-feira (6), pela demissão do promotor de Justiça João Paulo Furlan, integrante do Ministério Público do Estado do Amapá (MP-AP). A decisão foi tomada durante o julgamento de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) relacionado a suspeitas de participação em esquema de corrupção eleitoral.
João Paulo Furlan, irmão do ex-prefeito de Macapá e pré-candidato ao Governo do Amapá, Dr. Furlan (PSD), estava afastado das funções desde o início deste ano. O processo disciplinar teve como base elementos de investigações que apontaram possível participação do então promotor em práticas destinadas a beneficiar eleitoralmente a campanha do irmão.
Segundo informações divulgadas sobre as investigações, a Polícia Federal reuniu mensagens e outros elementos que indicariam suposta compra de votos por meio da distribuição de cestas básicas e abastecimento de combustível, além de transporte irregular de eleitores.
As suspeitas estão relacionadas às eleições municipais de 2020, quando Dr. Furlan disputou e venceu a eleição para a Prefeitura de Macapá.
Após a análise do Processo Administrativo Disciplinar, o plenário do CNMP decidiu pela aplicação da pena de demissão. A decisão representa o desligamento de João Paulo Furlan dos quadros do Ministério Público do Amapá.
De acordo com informações divulgadas após o julgamento, esta é a primeira vez que um promotor de Justiça do MP-AP recebe pena de demissão por decisão do Conselho Nacional do Ministério Público.
O julgamento ocorreu em sessão fechada em razão do caráter sigiloso do processo.
Ao longo da tramitação, João Paulo Furlan contestou as acusações e os procedimentos adotados contra ele. O promotor sustentou anteriormente que o caso já havia sido analisado e arquivado e questionou sua reabertura.
Em manifestações anteriores, também afirmou considerar medidas adotadas contra ele arbitrárias e juridicamente insustentáveis, além de defender a observância do devido processo legal e da imparcialidade no julgamento.
A decisão administrativa do CNMP não deve ser confundida com eventual condenação criminal definitiva. As responsabilidades nas diferentes esferas jurídicas seguem os procedimentos próprios e as garantias previstas em lei.
O caso ganha ainda maior repercussão no cenário político amapaense por envolver o irmão de Dr. Furlan, ex-prefeito de Macapá e pré-candidato ao Governo do Amapá.
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