Fé, resistência e misticismo: quadrilhas tradicionais emocionam o público na final do VII Festival Sandro Rogério
Rosa dos Ventos, Explosão do Tempo e Fúria Junina levantaram a arena da Cidade Junina com espetáculos que celebram a cultura popular amapaense.
A energia destas três primeiras apresentações marcou a abertura da disputa pelo título, que contou com um total de seis grupos juninos da categoria tradicional O Governo do Amapá promoveu, nesta sexta-feira, 26, a grande final das quadrilhas tradicionais da Liga Junina de Macapá (Ligajum), dentro da programação do Arraiá do Povo. A noite decisiva do VII Festival Municipal Sandro Rogério lotou a arena da Cidade Junina, garantindo lazer, segurança e fomento à economia criativa para a população amapaense.
O presidente da Liga Junina de Macapá (Ligajum), Cláudio Vaz, ressaltou o impacto transformador da quadra junina para o desenvolvimento social e econômico local. Segundo o representante, a valorização da tradição vai além do entretenimento, alcançando diferentes gerações.
"A importância dessa festa junina é que ela proporciona à juventude e à sociedade em geral o acesso à cultura. O evento fomenta a economia do nosso Estado, gerando renda, emprego e, principalmente, garantindo lazer", destacou Vaz.

Primeira a entrar na arena na disputa pelo campeonato, a Associação Folclórica e Cultural Rosa dos Ventos, do bairro Buritizal, levou para a quadra junina a força do universo sertanejo com o tema "No Haras Rosa dos Ventos tem vaqueiro e boiadeiro, tem cowboy e tem peão. Junta todo mundo e vumbora festejar o arraiá de São João!". O grupo celebrou o cotidiano da lida com o gado, as vaquejadas e a devoção a Nossa Senhora Aparecida. As indumentárias traduziram o vigor do couro e as texturas da terra.

Para o presidente da Rosa dos Ventos e muso do carnaval PCD do Brasil, Sandro William, a festividade representa, acima de tudo, inclusão.
"É muito bom quando o governo abre esse espaço e faz um evento tão maravilhoso, é valorização. Levantamos essa bandeira porque a inclusão está aqui presente. A gente agradece", celebrou o dançarino.

Logo depois, a Associação Folclórica e Cultural Explosão do Tempo, representante do bairro Congós, apresentou o espetáculo "Saltimbancos, Somos Nós!". Inspirada na clássica obra, a quadrilha fez uma homenagem aos fazedores de arte, mostrando a jornada de união entre o Caminhante, o Jumento, o Cachorro, a Galinha e a Gata.
Com reflexões sobre os desafios do fazer cultural — representados pela superação da figura repressora da "Otoridade" —, o grupo destacou a resistência da cultura popular e encerrou a evolução simbolizando a continuidade da tradição junina por meio das novas gerações.

Encerrando o primeiro bloco de exibições da final, a Quadrilha Fúria Junina invadiu a arena para abordar o misticismo e as crendices com o tema "Se é sorte ou azar, a Fúria Junina vai te contar". O grupo apresentou uma entrada apoteótica exaltando elementos que afastam o mau agouro e o mau-olhado, utilizando coreografias de matriz afro-brasileira.
Os brincantes encenaram tradições da cultura popular, como a famosa fita amarrada no pulso, que representa a realização de um desejo ao arrebentar, entregando um espetáculo de fé e muita dança.

A energia dessas três primeiras apresentações marcou a abertura da disputa pelo título, que contou com um total de seis grupos juninos da categoria tradicional. Após o desfile de todas as finalistas tradicionais, a festa na quadra junina seguiu pela noite com o espetáculo, o brilho e as inovações das quadrilhas estilizadas, mantendo o público animado na arena.
Cidade Junina
Para acomodar o público e os brincantes, a ampla estrutura da Cidade Junina, montada pela gestão estadual, conta com arena para apresentações, praça de alimentação com comidas típicas, exposição de artesanato, parque de diversões, barracas temáticas e espaços de convivência. O intercâmbio cultural é fortalecido com a presença de grupos dos municípios amapaenses e de convidados de outras localidades da região amazônica.
Entre os destaques do evento está a celebração do Dia do Quadrilheiro, neste sábado, 27 de junho, com o espetáculo Arraiá do Quero Mais, reunindo os artistas Osmar Júnior e Rambolde Campos. A festividade segue até o dia 30 de junho com apresentações culturais diárias e concursos juninos.
O constante incentivo aos grupos folclóricos reforça o compromisso do Governo do Estado com a preservação das expressões artísticas e a valorização de todos os trabalhadores envolvidos no espetáculo, consolidando o Arraiá do Povo como uma das maiores vitrines culturais do Amapá.






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