Mulher cria identidade de menina de 12 anos, engana casal por 16 meses e é denunciada por estelionato em Santa Catarina
Acusada teria construído personagem fictícia para obter moradia, alimentação, medicamentos e outras vantagens financeiras por meio de manipulação emocional
FOTOS: AF/ILUSTRATIVA JOINVILLE (SC) — Um caso que chamou a atenção de todo o país ganhou novos desdobramentos nesta terça-feira (9). O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) denunciou Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, pelos crimes de estelionato e falsidade ideológica. Segundo a acusação, ela criou uma identidade fictícia e utilizou manipulação emocional durante mais de um ano para enganar um casal e obter vantagens indevidas.
De acordo com as investigações, Amanda assumiu a identidade de “Gabriele Ferreira dos Santos”, apresentando-se como uma adolescente de 12 anos. Para sustentar a farsa, a mulher teria adotado comportamentos infantis, utilizado objetos associados à infância e relatado histórias de supostos maus-tratos familiares e situações de exploração, com o objetivo de despertar compaixão e conquistar a confiança das vítimas.

O esquema teria sido mantido por cerca de 16 meses, entre fevereiro de 2025 e junho de 2026. Nesse período, conforme apurado pelas autoridades, o casal residente em Joinville passou a custear integralmente as despesas da acusada, incluindo moradia, alimentação, transporte, medicamentos de alto custo para emagrecimento e até uma festa de aniversário organizada para a personagem criada por ela.
A promotora de Justiça Viviane Soares, responsável pelo caso, afirmou que os elementos reunidos durante a investigação apontam para uma fraude cuidadosamente planejada.
“Os elementos colhidos indicam um esquema elaborado, com criação de identidade falsa e exploração da vulnerabilidade alheia para obter benefícios. A conduta exige total responsabilização criminal”, destacou a promotora.
Após ser presa em flagrante, a defesa de Amanda solicitou a instauração de incidente de insanidade mental. O pedido foi acolhido pela Justiça, que determinou a realização de perícia médica para avaliar se a acusada possuía plena capacidade de compreender o caráter ilícito de seus atos e controlar sua conduta durante o período investigado.
Caso a perícia conclua pela incapacidade de discernimento, o processo poderá ser suspenso e substituído por medida de segurança, conforme previsto na legislação brasileira.
Alerta para golpes baseados em manipulação emocional
O caso expõe uma modalidade de estelionato que utiliza a empatia e a solidariedade das vítimas como instrumentos para obtenção de vantagens financeiras e materiais. Especialistas alertam que golpes envolvendo crianças, idosos ou pessoas em suposta situação de vulnerabilidade têm se tornado cada vez mais frequentes e costumam ser sustentados por histórias elaboradas para gerar comoção.
Entre as principais recomendações estão a verificação da identidade de quem solicita ajuda, a confirmação das informações apresentadas e o cuidado ao assumir despesas de terceiros sem o acompanhamento de instituições de assistência social ou órgãos oficiais.
A denúncia já foi recebida pelo Poder Judiciário e o caso segue em tramitação. Amanda Maria Souza de Oliveira responderá às acusações enquanto a Justiça analisa os desdobramentos da investigação e o resultado da perícia médica.





COMENTÁRIOS