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Macapá ,07/06/2026

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FLOTA do Amapá amplia tensão entre extrativistas, agricultores e garimpeiros diante de entraves ambientais

Cooperativas e pequenos empreendedores acusam a SEMA de dificultar licenças minerais enquanto amplia concessões florestais na maior unidade de conservação do estado


FLOTA do Amapá amplia tensão entre extrativistas, agricultores e garimpeiros diante de entraves ambientais FOTOS: AF/ILUSTRATIVA

MACAPÁ, AP — A gestão da Floresta Estadual do Amapá (FLOTA), considerada a maior unidade de conservação administrada pelo Governo do Estado, voltou ao centro de debates envolvendo conflitos fundiários, exploração econômica e política ambiental. Cooperativas de mineração, agricultores familiares, extrativistas e pequenos empreendedores acusam a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA) de manter um modelo que favorece grandes concessões florestais, enquanto dificulta a regularização de atividades minerais e produtivas em diversas regiões do estado.

Criada em 2006, a FLOTA possui cerca de 2,3 milhões de hectares e abrange áreas dos municípios de Mazagão, Porto Grande, Pedra Branca do Amapari, Serra do Navio, Ferreira Gomes, Amapá, Calçoene, Oiapoque, Tartarugalzinho e Pracuúba. A unidade foi concebida como uma área de uso sustentável, permitindo atividades como manejo florestal, extrativismo e serviços ambientais, conciliando preservação ambiental com desenvolvimento econômico.

No entanto, representantes de cooperativas garimpeiras afirmam que o modelo atual tem priorizado exclusivamente o setor madeireiro. As críticas ganharam força após a ampliação de processos de concessão florestal realizados com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), incluindo áreas localizadas na região do Maracá, no município de Mazagão.

Entre os grupos que contestam a política ambiental adotada está a Cooperativa Unigold Mineração Sustentável, sediada em Tartarugalzinho e presidida por Alan Jones. Segundo ele, centenas de requerimentos ligados à pesquisa e exploração mineral permanecem paralisados ou indeferidos pela SEMA há décadas.

“A mineração sustentável não consegue avançar no Amapá. Existem aproximadamente 1.600 requerimentos sem andamento efetivo, enquanto outras atividades recebem prioridade”, declarou o dirigente cooperativista.

De acordo com representantes do setor, empresas de pequeno e médio porte têm enfrentado dificuldades para obter licenciamento ambiental, mesmo em áreas localizadas fora dos limites da FLOTA. Há relatos de empreendimentos que teriam investido mais de R$ 600 mil em estudos e projetos de pesquisa mineral, mas seguem sem autorização para operar.

Garimpeiros e cooperados também alegam receio de contestar publicamente as decisões administrativas por medo de represálias ou novos entraves burocráticos.

A SEMA, por sua vez, sustenta que os procedimentos seguem critérios técnicos e legais voltados à preservação ambiental e ao ordenamento territorial da FLOTA, considerada estratégica para a conservação da biodiversidade amazônica.

O debate envolvendo mineração, manejo florestal e desenvolvimento sustentável segue dividindo opiniões no estado e deve continuar mobilizando cooperativas, empresários, ambientalistas e representantes políticos nos próximos meses.




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