CNMP mantém processo contra promotor e aprofunda investigação sobre suposto esquema de compra de votos no AP
Rejeição de recurso reforça indícios já apontados por PF e MP Eleitoral e amplia pressão sobre caso que envolve elo direto com ex-prefeito de Macapá
FOTOS: AF/ILUSTRATIVA A decisão do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) de rejeitar os Embargos de Declaração apresentados pela defesa do promotor João Paulo de Oliveira Furlan não apenas manteve em curso o Processo Administrativo Disciplinar (PAD nº 1.00131/2026-89), como também sinalizou um endurecimento na apuração de um caso que já vinha sendo tratado como sensível nos bastidores.
Sob relatoria do conselheiro Clementino Augusto Ruffeil Rodrigues e tramitando em sigilo, o processo reúne elementos que apontam para possíveis crimes eleitorais e atuação político-partidária, condutas expressamente proibidas a membros do Ministério Público. A negativa ao recurso indica que o CNMP, ao menos neste momento, não identificou omissões ou contradições capazes de alterar o rumo das investigações.
Fontes ligadas à apuração indicam que o caso ganhou tração a partir de relatórios produzidos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Eleitoral, que detalhariam a existência de um suposto esquema de compra de votos nas eleições de 2020. Os indícios incluem pagamentos diretos a eleitores, com valores que variariam entre R$ 10 e R$ 100, além da oferta de vantagens como cestas básicas e transporte irregular de votantes.
Mais do que a mecânica do suposto esquema, o que chama atenção dos investigadores é o alcance político da operação. João Paulo Furlan é irmão do ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan (MDB), apontado nas apurações como possível beneficiário das práticas investigadas. A conexão familiar passou a ser tratada como um dos pontos centrais para entender a dimensão e o impacto das suspeitas.
O histórico recente do caso reforça a gravidade atribuída pelo CNMP. Em janeiro, o órgão já havia determinado o afastamento cautelar do promotor por 60 dias, com base em “indícios suficientes de autoria” e na avaliação de que a permanência no cargo poderia comprometer a lisura das apurações.
Internamente, a condução do processo é vista como um teste de rigor institucional. Integrantes do Ministério Público ouvidos sob reserva avaliam que o desfecho pode estabelecer um precedente relevante sobre os limites da atuação de seus membros, especialmente em contextos de proximidade com agentes políticos.
Embora o sigilo impeça o acesso integral aos autos, o enquadramento jurídico das condutas investigadas, que combinam possível interferência no processo eleitoral e violação de deveres funcionais, é considerado de alta gravidade. A tendência, segundo fontes, é de aprofundamento das diligências nas próximas etapas.
Com a manutenção do PAD, o CNMP mantém aberta a possibilidade de sanções que podem ir de advertência à perda do cargo, a depender das conclusões finais. Até lá, o caso segue avançando sob pressão crescente, tanto no campo institucional quanto no político, em um cenário que ainda promete novos desdobramentos.





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