Três em cada dez cidades não têm plano contra desastres climáticos
Três em cada dez cidades no Brasil não têm plano de contingência contra desastres climáticos. Além disso, 37% dos municípios não possuem um sistema próprio de alerta, enfrentam escassez orçamentária e dispõem de equipes reduzidas.

É o que aponta um estudo coordenado pelo Cemaden, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, com apoio da Fapesp, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
O coordenador da pesquisa, Victor Marchezini, explica a falta de preparação das cidades, mesmo com a recorrência de eventos climáticos no país.
"Se refere à alta rotatividade dos profissionais de proteção e defesa civil, tanto nos municípios como também, muitas vezes, nos Estados. Além dessa alta rotatividade, o estudo identificou que 22% desses órgãos municipais contam apenas com um profissional, ou seja, não há nenhuma equipe constituída no órgão municipal de proteção e defesa civil".
Ele avalia que a falta de planejamento pode resultar em maior empobrecimento das cidades, além do risco de perdas de vidas. Apesar desse cenário, o pesquisador considera que as prefeituras se preparem
"Um primeiro passo é o reconhecimento, tanto de prefeitos e prefeitas, acerca da própria Política Nacional de Proteção e Defesa Civil e a importância de envolver diferentes secretarias municipais com ações conjuntas voltadas a elaborar os planos municipais de redução de riscos, como também elaborar os planos de contingência, que são planos que definem o que cada secretaria municipal, ou setor privado, ou outros parceiros, devem fazer numa situação de emergência. Então, esse exercício de planejamento é extremamente importante para que o município não seja pego de surpresa e tenha sempre que improvisar diante de desastres".
Victor Marchezini lembra que há ainda disponíveis cursos de capacitação gratuitos, editais para obtenção de financiamentos, mapeamentos de risco realizados pelo Serviço Geológico do Brasil.
O pesquisador destaca outras ações que precisam sem feitas para apoio aos municípios além das já existentes
"Eu destacaria o fortalecimento das defesas civis estaduais com concursos públicos para cargos mais técnicos, para que você consiga manter a capacidade nas defesas civis estaduais, uma vez que muitas delas estão lotadas no gabinete do governador e possuem ainda um viés muito associado à polícia militar ou bombeiro militar. Então, também é necessário conter essa rotatividade nos órgãos estaduais de defesa civil, uma vez que eles prestam muito apoio aos municípios. Outro ponto fundamental é o envolvimento dos comitês de bacia hidrográfica às ações de prevenção e de gestão de riscos, uma vez que muitos dos desastres acabam atingindo a escala da bacia hidrográfica".
Realizada como parte de um projeto de preparação para eventos extremos, a pesquisa analisou informações de 2.289 municípios brasileiros (ou seja, 41% do total) nas cinco regiões do país.
*Com produção de Luciene Cruz
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