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Macapá ,16/10/2026

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OPERAÇÃO CAVALO DE TROIA: POLÍCIA CIVIL MIRA INFILTRAÇÃO DE FACÇÃO NA CÂMARA DE MACAPÁ E NO IAPEN

Investigação da DRACO, com apoio do GAECO, aponta suposto esquema de troca de favores entre agentes públicos e integrantes da facção Família Terror do Amapá (FTA). Vereador, suplente e servidores são afastados por determinação judicial.


OPERAÇÃO CAVALO DE TROIA: POLÍCIA CIVIL MIRA INFILTRAÇÃO DE FACÇÃO NA CÂMARA DE MACAPÁ E NO IAPEN PC-AP - AF/ILUSTRATIVA

MACAPÁ (AP) – Uma ofensiva da Polícia Civil do Amapá contra a suposta infiltração do crime organizado nas estruturas do poder público atingiu, na manhã desta quinta-feira (15), a Câmara Municipal de Macapá e o Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (IAPEN).

Batizada de Operação Cavalo de Troia, a ação foi deflagrada por volta das 6h pela Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Amapá.

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, em residências, gabinetes parlamentares e dependências do IAPEN, além de medidas cautelares determinadas pela Justiça.

Segundo informações oficiais repassadas pela Polícia Civil ao Portal AF News, as investigações identificaram indícios de um esquema de utilização de cargos, influência política e funções administrativas para beneficiar integrantes da organização criminosa Família Terror do Amapá (FTA).

O ponto central da investigação é um suposto esquema de loteamento de vagas de trabalho em empresas terceirizadas prestadoras de serviços à saúde pública e entidades conveniadas à administração estadual.

De acordo com a DRACO, uma liderança externa da facção, cujo companheiro é apontado como líder máximo da organização dentro do IAPEN, teria atuado na mobilização de apoio político.

Em contrapartida, parlamentares e servidores públicos investigados teriam utilizado suas posições institucionais para facilitar a contratação de pessoas indicadas pelo grupo criminoso.

A Polícia Civil sustenta que gabinetes parlamentares teriam sido utilizados como instrumentos de intermediação dessas indicações, permitindo que a organização criminosa ampliasse sua influência sobre estruturas administrativas.

As suspeitas não se limitam à distribuição irregular de empregos.

Conforme a Polícia Civil, a articulação investigada também teria permitido a abertura de um canal informal de comunicação entre uma liderança externa da facção e a direção responsável pela ressocialização no sistema penitenciário.

Esse relacionamento teria resultado em possíveis favorecimentos administrativos dentro do IAPEN, incluindo acesso a vagas de trabalho e benefícios relacionados à remição de pena para uma liderança criminosa custodiada.

Para os investigadores, os elementos reunidos apontam para uma possível utilização da máquina pública em benefício de interesses de uma organização criminosa.

Como parte das medidas judiciais destinadas a impedir a continuidade das supostas irregularidades, quatro pessoas ligadas ao poder público foram atingidas por afastamentos e restrições:

* Um vereador de Macapá: afastado cautelarmente do mandato, proibido de acessar a Câmara Municipal, seus sistemas informatizados, secretarias e repartições.

* Um primeiro suplente de vereador: teve suspensa cautelarmente qualquer possibilidade de convocação, posse ou exercício do mandato, além de ficar impedido de acessar a Casa Legislativa.

* Diretor do Departamento de Ressocialização e Cidadania do IAPEN: afastado da função pública, com suspensão de senhas de acesso aos sistemas penitenciários e proibição de ingresso em unidades prisionais do estado.

* Uma servidora da Ouvidoria da Câmara Municipal: afastada do cargo, sob suspeita de receber currículos de pessoas indicadas pela facção e intermediar consultas médicas privilegiadas. Também foi proibida de acessar o prédio da Câmara e seus sistemas.

Além dos afastamentos, a Justiça estabeleceu medidas para evitar possíveis interferências nas investigações.

Os investigados estão proibidos de manter contato entre si, com testemunhas e com lideranças criminosas presas.

Também deverão comparecer à Justiça a cada dois meses e não poderão se ausentar de Macapá por período superior a sete dias sem autorização judicial.

A Polícia Civil informou que a operação segue sob sigilo, medida destinada a preservar as diligências e o aprofundamento das apurações.

A denominação da operação faz referência ao episódio da mitologia grega em que soldados conseguiram penetrar nas defesas de uma cidade escondidos dentro de um cavalo de madeira.

Na investigação conduzida pela DRACO, a expressão simboliza a suposta estratégia de infiltração silenciosa de integrantes e interesses de uma organização criminosa nas estruturas do poder público.

Segundo a Polícia Civil, a suspeita é de que funções políticas e administrativas tenham sido utilizadas para favorecer o grupo criminoso a partir do interior das próprias instituições.

A Operação Cavalo de Troia representa uma nova frente de investigação sobre a possível influência de organizações criminosas em setores da administração pública do Amapá.

A Polícia Civil busca esclarecer a extensão das relações investigadas, identificar eventuais outros participantes e reunir elementos sobre a utilização de cargos e estruturas institucionais para favorecer a facção.

Até a divulgação das informações oficiais utilizadas nesta reportagem, não foram apresentados os nomes dos agentes públicos atingidos pelas medidas judiciais. Os afastamentos possuem natureza cautelar e não representam condenação criminal.

O Portal AF News ressalta que todos os investigados têm direito à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência.

A reportagem permanece aberta a manifestações da Câmara Municipal de Macapá, do IAPEN e das defesas dos envolvidos.

Fonte: Polícia Civil do Estado do Amapá (PC-AP) – DRACO, com apoio do GAECO. Comunicado oficial de 15 de outubro de 2026.

Portal AF News – Informação com credibilidade e responsabilidade

portalafnews.com

🪶 Jornalista Aldenor Filho




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