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Macapá ,05/09/2026

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IBAMA LIBERA MAIS TRÊS PERFURAÇÕES DE POÇOS NA COSTA DO AMAPÁ

Petrobras recebe autorização para avançar no bloco FZA-M-59 após descoberta de petróleo no poço Morpho; novas perfurações serão decisivas para dimensionar reservatório e avaliar potencial comercial


IBAMA LIBERA MAIS TRÊS PERFURAÇÕES DE POÇOS NA COSTA DO AMAPÁ AF/ILUSTRATIVA

Macapá (AP), 5 de setembro de 2026 – A exploração de petróleo na costa do Amapá entra em uma nova e decisiva etapa. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou a Petrobras a perfurar mais três poços exploratórios no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, área integrante da Margem Equatorial brasileira.

A decisão foi formalizada por meio da retificação da Licença de Operação nº 1684/2025, assinada na quinta-feira (3). A autorização inclui três poços contingentes que já faziam parte do projeto de licenciamento ambiental: Manga, Crotalus e Morpho Extensão, também identificado em documentos do processo como PAD Morpho.

O avanço ocorre poucas semanas depois de a Petrobras confirmar a presença de petróleo no poço Morpho, perfurado no mesmo bloco, localizado a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas ultraprofundas.

A descoberta aumentou a importância estratégica do FZA-M-59. Agora, as novas perfurações terão papel fundamental para ampliar o conhecimento geológico da área, delimitar as dimensões do reservatório e fornecer informações necessárias para que a Petrobras determine se a descoberta possui volume e condições suficientes para uma futura produção comercial.

Com a autorização ambiental em mãos, a Petrobras informou que iniciará o planejamento para dar continuidade à campanha exploratória. A primeira etapa será concluir a perfuração do Morpho e, posteriormente, avançar sobre os três novos poços autorizados.

A autorização, entretanto, não significa início imediato da perfuração. O Ibama estabeleceu que a companhia deverá apresentar um cronograma atualizado em até 30 dias após o recebimento da retificação da licença.

Entre as possibilidades para a nova campanha está a utilização do navio-sonda Amaralina Star (NS-43), da Constellation. O uso da unidade dependerá de adequações específicas relacionadas ao recolhimento de cascalhos e de vistoria prévia do órgão ambiental.

O Ibama também determinou que unidades marítimas de perfuração não poderão operar simultaneamente no bloco.

A ampliação da licença veio acompanhada de novas condicionantes e da manutenção de medidas de proteção ambiental.

Entre as exigências estão programas de monitoramento ambiental, controle da poluição, acompanhamento dos impactos da atividade e medidas relacionadas à proteção da fauna.

A Petrobras também deverá cumprir determinações específicas relacionadas ao manejo de sirênios, grupo que inclui o peixe-boi, além de manter estruturas destinadas ao atendimento e à reabilitação de animais no Amapá e no Pará.

Outra restrição envolve os cascalhos gerados durante determinadas fases da perfuração. Material proveniente da chamada fase reservatório e de áreas mais rasas onde já tenha sido identificada presença de óleo não poderá ser descartado diretamente no mar.

A dimensão econômica da campanha também chama atenção. Documentos analisados no processo de licenciamento indicam que a Petrobras considera atualmente investimentos da ordem de R$ 3,3 bilhões para a perfuração dos quatro poços do FZA-M-59, incluindo o Morpho e os três novos pontos autorizados.

Com base no cálculo do impacto ambiental, o Ibama estabeleceu compensação ambiental de aproximadamente R$ 16,5 milhões para o empreendimento.

Apesar do avanço, a nova licença precisa ser interpretada corretamente: o Ibama autorizou novas perfurações exploratórias, e não a produção comercial de petróleo na costa do Amapá.

Os três novos poços servirão justamente para que a Petrobras obtenha informações mais precisas sobre volume, qualidade, extensão e características do reservatório.

Somente depois dessa avaliação será possível determinar a viabilidade econômica de um eventual projeto de produção, etapa que envolve outros estudos, decisões empresariais, autorizações regulatórias e procedimentos ambientais.

A autorização representa, porém, um dos avanços mais importantes desde o início da campanha exploratória no Amapá e coloca novamente o estado no centro das discussões nacionais sobre o futuro da Margem Equatorial brasileira.

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🪶 Jornalista Aldenor Filho




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