OPERAÇÃO PALANQUE DIGITAL: PF APONTA SUPOSTA ESTRUTURA FINANCIADA COM RECURSOS PÚBLICOS PARA ATAQUES VIRTUAIS EM MACAPÁ
Investigação indica esquema que teria movimentado mais de R$ 25 milhões durante a gestão do ex-prefeito Antônio Furlan; depoimentos relatam ameaças, invasões e episódios de violência contra vítimas
FOTOS: AF/ILUSTRATIVA Macapá (AP) – A Polícia Federal revelou detalhes da Operação Palanque Digital, que apura a existência de uma suposta estrutura organizada instalada no âmbito da Prefeitura de Macapá, durante a gestão do ex-prefeito Antônio Furlan, para promover ataques coordenados nas redes sociais, disseminação de desinformação, intimidação de adversários políticos e, segundo a investigação, até episódios de violência física. De acordo com a PF, o esquema teria movimentado mais de R$ 25 milhões em recursos públicos.
Segundo o superintendente da Polícia Federal no Amapá, Milton Rodrigues Neves, as investigações apontam que o grupo atuava de forma organizada e hierarquizada.
> "Havia uma cadeia de comando. Pessoas que davam ordem, pessoas que produziam conteúdo e pessoas que difundiam esse conteúdo", afirmou o superintendente.
Além da atuação digital, a investigação reúne relatos de vítimas que descrevem situações de extrema gravidade. Em depoimento exibido pela Rede Amazônica, uma pessoa que teve a identidade preservada relatou ter sido vítima de violência e coerção durante uma ação atribuída ao grupo investigado.
> "Estava amarrado em cima da cama e ele ficava insistindo e pedindo o celular", relatou a vítima.
Os depoimentos também mencionam invasões de residências, ameaças e outras formas de intimidação contra pessoas consideradas opositoras ou críticas ao grupo investigado. Conforme a apuração, esta é a primeira vez que vítimas e pessoas com conhecimento direto dos fatos relatam publicamente esses episódios.
A Polícia Federal sustenta que recursos públicos teriam sido utilizados para financiar toda a estrutura investigada, incluindo a produção de conteúdos ofensivos, campanhas de ataques virtuais, ações de influência em redes sociais e pagamentos a influenciadores digitais.
As investigações seguem em andamento e buscam identificar todos os envolvidos, esclarecer a participação de cada investigado, rastrear a origem e a destinação dos recursos públicos supostamente utilizados e subsidiar as medidas judiciais cabíveis.
Os investigados terão assegurados o contraditório e a ampla defesa durante o andamento do processo, conforme prevê a legislação brasileira.
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