Governo do Amapá alerta para prevenção e cuidados no Dia Nacional do Diabetes
Estado intensifica rastreamento de complicações e oferece tratamento integral na rede pública para combater uma das principais condições crônicas entre os amapaenses
Governo do Amapá alerta para a prevenção e oferece tratamento integral na rede pública para o diabetes Lembrado nesta sexta-feira (26), o Dia Nacional do Diabetes faz o Governo do Amapá alertar a população sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento correto da doença. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) apontam que entre 9% e 11% da população amapaense vive com o diabetes mellitus, configurando um grave problema de saúde pública devido à sua alta prevalência e aos riscos de complicações severas.
No Brasil, o cenário é igualmente preocupante. O último atlas da Federação Internacional de Diabetes (IDF) informa que pelo menos 17 milhões de brasileiros sofrem com a doença, caracterizada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, que é o hormônio responsável por regular os níveis de açúcar no sangue.
As complicações pela falta de acompanhamento adequado são graves, pois o diabetes causa um impacto progressivo na circulação sanguínea de menor calibre, que nutre a retina, os nervos e os rins, além de afetar vasos maiores, aumentando o risco de doenças cardiovasculares e insuficiência renal.

No Amapá, estima-se que cerca de 10% dos pacientes diagnosticados, aproximadamente 8 mil pessoas, podem desenvolver complicações nos membros inferiores, conhecida como a doença do pé associada ao diabetes. Em todo o país, a enfermidade lidera as causas de amputações não traumáticas de membros inferiores, afetando cerca de 11% dos pacientes que convivem com a condição por longo prazo.
Para conter esse avanço e oferecer assistência integral, o Governo do Amapá disponibiliza tratamento especializado por meio do Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima (Hcal), em Macapá. A unidade oferece consultas regulares, exames, orientações nutricionais e encaminhamento para especialidades essenciais, como oftalmologia e cardiologia.
A médica endocrinologista Ana Beatriz, especialista no acompanhamento de pessoas com diabetes no Hcal, esclarece a dinâmica da patologia.

“O diabetes mellitus é uma doença crônica que cursa com o aumento da glicose no sangue, a hiperglicemia, e que leva a complicações a curto e longo prazo se não for tratada corretamente. Existem vários tipos de diabetes, sendo o mais frequente o tipo 2, onde há uma resistência à ação do hormônio insulina no organismo daquele indivíduo. Já no tipo 1, há uma deficiência de produção da insulina causada por alteração autoimune no pâncreas”, explica a endocrinologista.
A preocupação das autoridades de saúde vai além das consequências, pois o diabetes tipo 2 pode agir de forma totalmente silenciosa. Muitas vezes, o paciente não apresenta sintomas imediatos, o que reforça a necessidade do diagnóstico precoce, do acompanhamento clínico regular e da aferição periódica da glicemia como as principais ferramentas para evitar sequelas. Os fatores de risco incluem sobrepeso, sedentarismo, pressão alta, colesterol descontrolado e histórico familiar.
“Muitas vezes o paciente pode estar assintomático. Mas quando a doença está descompensada pode gerar sintomas de sede intensa, perda de peso, visão turva, aumento da frequência urinária e aumento de infecções. O transporte de sangue aos nervos também pode ser afetado, alterando a sensibilidade. Além disso, o diabetes prejudica o processo de cicatrização e a resposta imunológica a infecções geradas por cortes ou outras feridas, aumentando o risco de amputações. Se não tratado corretamente, a longo prazo o paciente pode apresentar complicações sérias, como a cegueira, disfunção nos rins e eventos cardiovasculares como infarto e acidente vascular cerebral”, alerta a médica.
Para evitar o agravamento do quadro clínico e garantir qualidade de vida, a adesão rigorosa ao tratamento de saúde e a mudança de hábitos cotidianos são fundamentais para os pacientes que já convivem com a patologia.
“É sempre importante manter o acompanhamento regular com o médico, além de uma rotina saudável de alimentação e exercício físico, fazer uso corretamente das medicações e realizar os exames de rastreio de complicações quando indicados”, orienta a médica Ana Beatriz.

A recomendação do Governo do Estado é focar na prevenção como a estratégia mais eficaz para toda a população, reduzindo o surgimento de novos casos na rede pública. Para isso, recomenda-se a combinação de uma dieta balanceada com a prática de atividades físicas, com destaque para os exercícios de força.
“Para prevenir o diabetes mellitus é necessário manter um estilo de vida saudável, frequentar o médico regularmente para fazer exames de rastreio, ter uma boa rotina de sono, praticar exercícios físicos, principalmente os de força, assim como evitar alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas”, finaliza a especialista do Hcal.
Como parte das ações estratégicas para fortalecer a rede de saúde, conter o agravamento dos casos e reduzir os índices de internações e amputações, a Sesa realizou a 1ª Oficina de Capacitação em Rastreamento de Neuropatia e Doença Arterial Periférica em Pessoas com Diabetes Mellitus. A iniciativa qualificou profissionais de enfermagem para atuarem como multiplicadores do diagnóstico precoce nos 16 municípios amapaenses, garantindo o rastreamento e o cuidado preventivo diretamente na atenção primária das comunidades.





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