Governo do Amapá apresenta Projeto Socioambiental Indígena para ampliar atendimento a famílias afetadas pela crise da mandioca em Oiapoque
Nova ação beneficiará mil famílias indígenas com assistência técnica, fomento rural e fortalecimento da segurança alimentar nas cinco regiões indígenas do município
Equipe técnica do Rurap e lideranças indígenas durante apresentação do Projeto Socioambiental Indígena, em Oiapoque O Governo do Amapá apresentou, na quinta-feira, 11, às lideranças indígenas de Oiapoque, as diretrizes do Projeto Socioambiental Indígena, iniciativa executada pelo Instituto de Extensão, Assistência e Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap) que dará continuidade às ações de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) voltadas às comunidades impactadas pela emergência fitossanitária causada pela doença conhecida como vassoura-de-bruxa da mandioca.
A nova etapa do programa beneficiará aproximadamente mil famílias indígenas das Terras Indígenas Uaçá, Galibi e Juminã, abrangendo as cinco regiões indígenas do município. A ação é resultado de uma parceria entre o Governo Federal e o Governo do Estado do Amapá, com articulação da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) e execução do Rurap.

Os recursos destinados às ações de Assistência Técnica e Extensão Rural são provenientes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), enquanto o fomento rural integra uma política pública do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). A Anater atua na intermediação e no acompanhamento da execução do projeto, incluindo o monitoramento das atividades e da prestação de contas, realizada por meio de sistema próprio. No Amapá, todas as ações serão executadas pelo Rurap.
Durante os encontros realizados nas aldeias, foram apresentadas informações sobre o funcionamento do projeto, os critérios de seleção das famílias e as etapas de implementação. A iniciativa tem como objetivo fortalecer a segurança alimentar, recuperar os sistemas produtivos tradicionais afetados pela doença da mandioca e promover a inclusão socioprodutiva das comunidades indígenas.
Além do acompanhamento técnico especializado, cada família contemplada terá acesso ao fomento rural no valor total de R$ 4.600, repassado em duas parcelas, sendo a primeira de R$ 2.600 e a segunda de R$ 2.000. Os recursos serão destinados ao desenvolvimento de atividades produtivas definidas a partir do diagnóstico realizado pelas equipes técnicas.
A previsão é que, até o final de julho, as equipes estejam em campo realizando o cadastramento e o diagnóstico das famílias que poderão ser atendidas pelo programa. Antes disso, os profissionais participarão de capacitações promovidas pela Anater para garantir uma atuação alinhada às especificidades culturais e produtivas das comunidades indígenas.
Com vigência de 24 meses e investimento superior a R$ 7,8 milhões, o projeto prevê ações de assistência técnica continuada, oficinas, visitas técnicas, intercâmbios, capacitações e apoio ao acesso a políticas públicas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), fortalecendo a produção local, a geração de renda e a valorização dos conhecimentos tradicionais indígenas.

Alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, o projeto contribuirá para a redução da pobreza, o fortalecimento da segurança alimentar, a promoção da agricultura sustentável, a inclusão social e a conservação dos recursos naturais na região amazônica.
Segundo o diretor-presidente do Rurap, Kelson Vaz, o projeto reforça o compromisso do Governo do Estado com o fortalecimento das comunidades indígenas e a recuperação da capacidade produtiva das famílias afetadas pela crise da mandioca.
“O Projeto Socioambiental Indígena representa mais um passo importante no compromisso do Governo do Amapá com os povos indígenas de Oiapoque. Estamos ampliando o atendimento às famílias que foram diretamente afetadas pela emergência fitossanitária, garantindo assistência técnica qualificada, apoio produtivo e acesso a políticas públicas que fortalecem a segurança alimentar e a geração de renda. Nosso objetivo é construir soluções junto às comunidades, respeitando seus conhecimentos tradicionais e promovendo o desenvolvimento sustentável dos territórios indígenas”, destacou Vaz.
Idealizador da proposta quando esteve à frente da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, Camilo Capiberibe ressaltou que a iniciativa foi construída para responder aos impactos causados pela vassoura-de-bruxa da mandioca nas aldeias de Oiapoque.

“Este projeto nasceu da necessidade de dar uma resposta concreta às famílias indígenas que perderam suas roças e tiveram sua produção comprometida. Mais do que recuperar a mandiocultura, a proposta busca fortalecer a autonomia produtiva, valorizar os conhecimentos tradicionais e ampliar as oportunidades de geração de renda e segurança alimentar. É uma ação construída em diálogo com as lideranças indígenas e voltada para o desenvolvimento sustentável das comunidades”, afirmou Capiberibe.
A indígena Idanira dos Santos, da Aldeia Santa Izabel, destacou a importância do fomento rural e da assistência técnica para a melhoria da qualidade de vida de sua família.

“Esse projeto mudou a minha vida. Com o apoio que recebi, consegui desenvolver minha atividade produtiva e hoje tenho uma renda que ajuda a sustentar minha família. Isso me permite criar meus filhos com mais conforto, segurança e tranquilidade. É uma oportunidade que fortalece nossa autonomia e nos dá condições de planejar um futuro melhor para nossos filhos”, afirmou Idanira.





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