‘Hoje a gente já entrega 54 produtos e mostra que a floresta pode virar renda’, diz cooperada durante programação Junho Verde do Governo do Amapá
Nelielma Miranda, produtora rural e representante da Cooperativa dos Produtores de Cacau do Amapá (Coopcape), atua na agregação de valor ao cacau, temperos e produtos da biodiversidade amazônica.
Nelielma Miranda, produtora rural e representante da Coopcape “Hoje a gente já entrega 54 produtos e mostra que a floresta pode virar renda para as famílias do Amapá. Começamos esse trabalho há alguns anos e tivemos apoio para fortalecer a cadeia produtiva do cacau, dos temperos e de outros produtos da nossa biodiversidade. O que antes era vendido apenas como matéria-prima, hoje ganha valor agregado, gera oportunidade e chega ao mercado com a marca da nossa cooperativa”, destacou Nelielma Miranda, representante da Coopcape.
A fala da produtora resume o espírito do evento realizado pelo Governo do Amapá na quarta-feira, 10, no auditório do Sebrae/AP, durante a programação do Junho Verde 2026. Na ocasião, foi apresentada a versão consolidada do Plano Estadual de Apoio à Sociobioeconomia (Peas), instrumento que orientará investimentos e ações voltadas ao fortalecimento da economia da floresta nos próximos 30 anos.
Com cinco anos de atuação, a Cooperativa dos Produtores de Cacau do Amapá (Coopcape), reúne produtores rurais e trabalha na agregação de valor a produtos da sociobiodiversidade amapaense. Além do cacau e do cupuaçu, a cooperativa desenvolve uma linha de temperos secos, corantes, geleias, óleos vegetais, manteiga de cupuaçu, produtos medicinais e itens voltados à gastronomia regional. Parte da produção já abastece programas de alimentação escolar.
Da matéria-prima ao produto final
A empreendedora afirma que o processo de industrialização permitiu que agricultores deixassem de comercializar apenas o produto in natura para oferecer itens beneficiados, com maior valor de mercado.

“Nós trabalhamos para não perder a produção dos agricultores. O tempero caseiro da Coopcape, por exemplo, se tornou nosso carro-chefe. Hoje temos uma linha completa que vai do gastronômico ao medicinal, mostrando que é possível transformar os recursos da floresta em negócios sustentáveis”, explicou.
Construção coletiva
Durante a apresentação do plano, o diretor de Formação Nacional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, Joaquim Belo, destacou que o documento representa a consolidação de décadas de debate sobre desenvolvimento sustentável na Amazônia.

“O que estamos vendo aqui é o resultado de um processo construído ao longo de muitos anos de luta para que o desenvolvimento leve em conta a conservação e os povos da floresta. O governador Clécio Luís está de parabéns, este plano consolida uma etapa importante dessa caminhada. Agora é transformar esse grande material em políticas, normas, governança e instrumentos que permaneçam além dos governos e garantam um novo modelo de desenvolvimento para o Amapá”, afirmou.
Belo acrescentou que a iniciativa fortalece uma visão de desenvolvimento que considera as populações tradicionais, os extrativistas, os agricultores familiares e os diversos segmentos da sociedade como protagonistas da agenda econômica e ambiental do estado.
Política pública e investimentos
O secretário-adjunto de Gestão da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Cássio Lemos, ressaltou que a consolidação do plano marca o início de uma nova fase, voltada à institucionalização da política de sociobioeconomia e à ampliação dos investimentos nas cadeias produtivas prioritárias.

“Esse momento beneficia diretamente produtores rurais, povos tradicionais, povos originários e comunidades ribeirinhas. A sociobioeconomia surge como uma diretriz do Governo do Estado para valorizar quem está na base das cadeias produtivas, gerando mercado para os produtos da floresta e ampliando oportunidades de renda nos territórios”, afirmou.
Segundo o gestor, o Governo do Amapá já deu início a elaboração do projeto de lei que será encaminhado à Assembleia Legislativa para transformar o plano em política pública permanente do estado.
“A consolidação do plano é apenas o começo. O governador Clécio Luís já trabalha na formulação do projeto de lei que institucionalizará essa política. Também haverá uma reestruturação da Sema para recepcionar a agenda da sociobioeconomia. As 11 cadeias produtivas identificadas, como açaí, castanha, turismo, pescado, fruticultura e fármacos passarão a contar com um portfólio de projetos voltado à atração de investimentos públicos, privados e internacionais”, completou Cássio Lemos.

Com a apresentação da versão consolidada do Peas, o Governo do Amapá avança na construção de um modelo de desenvolvimento que busca unir conservação ambiental, inclusão social e fortalecimento da economia regional, tendo a floresta em pé e os conhecimentos tradicionais como ativos estratégicos para o futuro do estado.





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