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Macapá ,11/06/2026

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‘Hoje a gente já entrega 54 produtos e mostra que a floresta pode virar renda’, diz cooperada durante programação Junho Verde do Governo do Amapá

Nelielma Miranda, produtora rural e representante da Cooperativa dos Produtores de Cacau do Amapá (Coopcape), atua na agregação de valor ao cacau, temperos e produtos da biodiversidade amazônica.

agenciaamapa.com.br
‘Hoje a gente já entrega 54 produtos e mostra que a floresta pode virar renda’, diz cooperada durante programação Junho Verde do Governo do Amapá Nelielma Miranda, produtora rural e representante da Coopcape

“Hoje a gente já entrega 54 produtos e mostra que a floresta pode virar renda para as famílias do Amapá. Começamos esse trabalho há alguns anos e tivemos apoio para fortalecer a cadeia produtiva do cacau, dos temperos e de outros produtos da nossa biodiversidade. O que antes era vendido apenas como matéria-prima, hoje ganha valor agregado, gera oportunidade e chega ao mercado com a marca da nossa cooperativa”, destacou Nelielma Miranda, representante da Coopcape.

A fala da produtora resume o espírito do evento realizado pelo Governo do Amapá na quarta-feira, 10, no auditório do Sebrae/AP, durante a programação do Junho Verde 2026. Na ocasião, foi apresentada a versão consolidada do Plano Estadual de Apoio à Sociobioeconomia (Peas), instrumento que orientará investimentos e ações voltadas ao fortalecimento da economia da floresta nos próximos 30 anos.

Com cinco anos de atuação, a Cooperativa dos Produtores de Cacau do Amapá (Coopcape), reúne produtores rurais e trabalha na agregação de valor a produtos da sociobiodiversidade amapaense. Além do cacau e do cupuaçu, a cooperativa desenvolve uma linha de temperos secos, corantes, geleias, óleos vegetais, manteiga de cupuaçu, produtos medicinais e itens voltados à gastronomia regional. Parte da produção já abastece programas de alimentação escolar.

Da matéria-prima ao produto final

A empreendedora afirma que o processo de industrialização permitiu que agricultores deixassem de comercializar apenas o produto in natura para oferecer itens beneficiados, com maior valor de mercado.

Empreendedora aposta no mercado de bioeconomia e ganha mercado para fornecimento local
Empreendedora aposta no mercado de bioeconomia e ganha mercado para fornecimento local
Foto: Márcia do Carmo/GEA

“Nós trabalhamos para não perder a produção dos agricultores. O tempero caseiro da Coopcape, por exemplo, se tornou nosso carro-chefe. Hoje temos uma linha completa que vai do gastronômico ao medicinal, mostrando que é possível transformar os recursos da floresta em negócios sustentáveis”, explicou.

Construção coletiva

Durante a apresentação do plano, o diretor de Formação Nacional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, Joaquim Belo, destacou que o documento representa a consolidação de décadas de debate sobre desenvolvimento sustentável na Amazônia.

Joaquim Belo, diretor de Formação Nacional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas
Joaquim Belo, diretor de Formação Nacional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas
Foto: Márcia do Carmo/GEA

“O que estamos vendo aqui é o resultado de um processo construído ao longo de muitos anos de luta para que o desenvolvimento leve em conta a conservação e os povos da floresta. O governador Clécio Luís está de parabéns, este plano consolida uma etapa importante dessa caminhada. Agora é transformar esse grande material em políticas, normas, governança e instrumentos que permaneçam além dos governos e garantam um novo modelo de desenvolvimento para o Amapá”, afirmou.

Belo acrescentou que a iniciativa fortalece uma visão de desenvolvimento que considera as populações tradicionais, os extrativistas, os agricultores familiares e os diversos segmentos da sociedade como protagonistas da agenda econômica e ambiental do estado.

Política pública e investimentos

O secretário-adjunto de Gestão da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Cássio Lemos, ressaltou que a consolidação do plano marca o início de uma nova fase, voltada à institucionalização da política de sociobioeconomia e à ampliação dos investimentos nas cadeias produtivas prioritárias.

Cássio Lemos, secretário de gestão adjunto de Meio Ambiente do Amapá
Cássio Lemos, secretário de gestão adjunto de Meio Ambiente do Amapá
Foto: Márcia do Carmo/GEA

“Esse momento beneficia diretamente produtores rurais, povos tradicionais, povos originários e comunidades ribeirinhas. A sociobioeconomia surge como uma diretriz do Governo do Estado para valorizar quem está na base das cadeias produtivas, gerando mercado para os produtos da floresta e ampliando oportunidades de renda nos territórios”, afirmou.

Segundo o gestor, o Governo do Amapá já deu início a elaboração do projeto de lei que será encaminhado à Assembleia Legislativa para transformar o plano em política pública permanente do estado.

“A consolidação do plano é apenas o começo. O governador Clécio Luís já trabalha na formulação do projeto de lei que institucionalizará essa política. Também haverá uma reestruturação da Sema para recepcionar a agenda da sociobioeconomia. As 11 cadeias produtivas identificadas, como açaí, castanha, turismo, pescado, fruticultura e fármacos passarão a contar com um portfólio de projetos voltado à atração de investimentos públicos, privados e internacionais”, completou Cássio Lemos.

Produtos de bioeconomia da floresta para o mercado conquistam consumidores
Produtos de bioeconomia da floresta para o mercado conquistam consumidores
Foto: Márcia do Carmo/GEA

Com a apresentação da versão consolidada do Peas, o Governo do Amapá avança na construção de um modelo de desenvolvimento que busca unir conservação ambiental, inclusão social e fortalecimento da economia regional, tendo a floresta em pé e os conhecimentos tradicionais como ativos estratégicos para o futuro do estado.




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