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Exigido por Trump, Acordo de Abraão isola palestinos frente a Israel

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Exigido por Trump, Acordo de Abraão isola palestinos frente a Israel


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Exigência de Donald Trump aos países árabes, os chamados acordos de Abraão podem isolar ainda mais os palestinos na região, ampliando a margem de ação para Israel anexar a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, avaliam especialistas em Oriente Médio.

Assinados por Marrocos, Emirados Árabes Unidos (EAU), Bahrein e Sudão durante o primeiro mandato de Trump na Casa Branca, esses acordos buscam “normalizar” as relações de países árabes com Israel. Em 2025, o Cazaquistão se comprometeu a aderir ao pacto.



Notícias relacionadas:

Em meio a negociações com o Irã, Trump voltou a pressionar Arábia Saudita, Catar, Paquistão, Turquia, Egito e Jordânia para que assinem os acordos, condicionando as negociações de paz com Teerã à adesão aos tratados.

“Deveria começar com a assinatura imediata da Arábia Saudita e do Catar, e todos os outros deveriam seguir o exemplo. Se não o fizerem, não deveriam fazer parte deste Acordo [com o Irã], pois isso demonstra má intenção”, disse Trump em uma rede social.

 




Arte sobre Acordos de Abraão


Acordos de Abraão - Arte Dijor/EBC



A professora de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) Rashmi Singh explicou à Agência Brasil que esses acordos são vistos pelos palestinos como uma traição dos países árabes.




“Os acordos alteraram fundamentalmente a diplomacia do Oriente Médio ao tentar convencer os Estados árabes sunitas a desvincular a normalização das relações com Israel da causa palestina, pondo fim, na prática, ao consenso árabe de longa data de que a paz com Israel exigia uma resolução prévia do conflito palestino”, disse a especialista.




O professor de relações internacionais Mohammed Nadir, da Universidade Federal do ABC paulista (UFABC), avalia que os acordos consolidam a subordinação dos países árabes à política de Israel e dos EUA no Oriente Médio.




“O objetivo é livrar Israel do isolamento em que se encontra após os crimes perpetrados contra os palestinos de Gaza. As consequências serão desastrosas para os palestinos, uma vez que irão deixar os palestinos à sua sorte sem nenhum apoio árabe, se ainda podemos falar de apoio árabe”, comentou Nadir.




Apenas o Paquistão rejeitou a proposta de Trump de assinar os acordos de Abraão, dizendo que o país “não tem obrigação de acatar essa exigência”.



Diversos analistas avaliam que o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 tinha, entre os objetivos, paralisar as negociações de países árabes com Israel, principalmente em relação à Arábia Saudita.



Estado palestino



A professora Rashmi Singh acrescentou que os países que assinam os acordos priorizaram interesses econômicos e preocupações de segurança em relação ao Irã em detrimento da criação de um Estado palestino. Para ela, os acordos, assinados a partir de 2020, incentivaram a escalada da violência de Israel contra os palestinos.




24/10/2023, Rashmi Singh, professora de relações internacionais da PUC Minas, durante entrevista a TV Assembleia MG. Foto: Frame/TV Assembleia MG


Rashmi Singh, professora de relações internacionais da PUC Minas - Foto: Frame/TV Assembleia MG



“Se Trump for bem-sucedido, a consequência mais óbvia será a catástrofe para qualquer futuro Estado palestino e dará carta branca a Israel para continuar sua brutalidade, ocupação militar, regime de apartheid, bem como a limpeza étnica dos palestinos e o roubo de suas terras”, completou.



Ao defender que os demais países de maioria árabe ou mulçumana assinassem os acordos de Abraão, Donald Trump destacou que as nações que já aderiram experimentaram um “boom econômico”.



“Os acordos de Abraão provaram ser, para os países envolvidos [Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos, Sudão e Cazaquistão], um boom financeiro, econômico e social, mesmo durante este período de conflito e guerra”, disse Trump.



Fortalecer Israel



Para a professora da PUC Minas, a nova pressão de Trump para assinatura dos acordos buscar manter a hegemonia de Israel no Oriente Médio.




“E, por meio de Israel, a presença e influência dos EUA na região, onde as relações de poder foram drasticamente alteradas por mais um fracasso desastroso dos EUA, que deixou o Irã em uma posição muito mais forte do que antes”, acrescentou Rashmi Singh.




Por outro lado, a especialista em Oriente Médio ressalta que emergiu durante a guerra com o Irã uma aliança militar e diplomática dos Estados mulçumanos sunitas Arábia Saudita, Paquistão, Turquia, Omã e Catar.




“Essa aliança, embora não se identifique como anti-Israel, certamente não beneficiará as ambições de Israel na região, mas proporcionará uma proteção, ainda que não um alívio completo, para os palestinos”, disse.





Brasília - DF - 01/06/2026 -  Professor de relações internacionais Mohammed Nadir, da Universidade Federal do ABC paulista (UFABC). Foto: Arquivo pessoal


Professor de relações internacionais Mohammed Nadir, da Universidade Federal do ABC - Foto: Arquivo pessoal



Para o professor Mohammed Nadir, o presidente Donald Trump é um adepto do “sionismo”, ideologia política por trás do Estado de Israel.



“Ele é adepto das ideias messiânicas dos extremistas israelenses que acreditam na grande Israel sem sua população originária, isto é, os palestinos. Dito isso, os ataques contra palestinos tanto em Gaza como em Cisjordânia, colonatos, ataques às terras agrícolas de palestinos pelos colonos são um indício claro de um plano maior que é eternizar a Nakba desde 1948”, concluiu.



Entenda



Nakba é o termo usado pelos palestinos para se referir à criação do Estado de Israel, em 1948, quando cerca de 750 mil palestinos foram expulsos de suas casas e cerca de 500 vilas palestinas foram destruídas, dando início ao drama dos refugiados palestinos.



Nas últimas semanas, organizações de direitos humanos têm denunciado a expansão da política de assentamentos ilegais na Cisjordânia, assim como ataques de colonos israelenses na região.



Em resposta a esse processo, a União Europeia aprovou sanções contra colonos israelenses por "expansão ilegal dos colonatos" de Israel e a "anexação de grandes partes da Cisjordânia ocupada".



Na última semana, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, de Israel, afirmou que ampliaria o controle sobre a Faixa de Gaza para 70%. Atualmente, Tel Aviv reconhece que ocupa 60% da Faixa de Gaza.



O anúncio foi criticado pela Alemanha, um dos principais aliados de Israel na Europa. Berlim disse que se oporia a qualquer divisão permanente de Gaza.



Membros do governo de Israel têm defendido a emigração dos palestinos de Gaza e a anexação da Cisjordânia. Tel Aviv ainda tem rejeitado a construção de qualquer Estado independente palestino, conforme exige o direito internacional com base nas fronteiras de 1967.




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