Crise na previdência de Macapá expõe rombo milionário e ameaça pagamento de aposentados
De mais de R$ 300 milhões em caixa a apenas R$ 6 milhões, situação da Macapaprev acende alerta sobre colapso financeiro e dependência de repasses emergenciais
FOTOS: AF/ILUSTRATIVA A previdência municipal de Macapá enfrenta uma das mais graves crises de sua história, colocando em risco direto o pagamento de cerca de 1,4 mil aposentados e pensionistas. O cenário atual revela um colapso financeiro que transformou um sistema antes considerado sólido em uma estrutura altamente dependente de socorro emergencial da Prefeitura.
Dados internos e informações de auditoria do Ministério da Previdência apontam para um quadro alarmante: o caixa da Macapaprev dispõe atualmente de apenas R$ 6 milhões, valor insuficiente para cobrir uma folha mensal que gira em torno de R$ 12 milhões. O déficit de aproximadamente 50% obrigou, pela primeira vez, a realização de um aporte emergencial do município para evitar atraso no pagamento dos beneficiários.
A deterioração das finanças teria se intensificado a partir de 2022, durante a gestão do então prefeito Antônio Furlan. Naquele período, o instituto registrava uma situação oposta à atual, com mais de R$ 300 milhões em caixa, montante considerado suficiente para garantir equilíbrio atuarial, aliado à arrecadação mensal e aos rendimentos de investimentos.
Levantamentos preliminares indicam que a rápida redução dos recursos está associada a uma combinação de fatores administrativos. Entre os principais pontos apontados estão retiradas expressivas da reserva técnica, aumento significativo da folha de pagamento, com ampliação do número de servidores temporários, e gastos elevados com contratos de prestação de serviços.
Estimativas indicam que cerca de R$ 175 milhões foram consumidos até 2025, contribuindo para a reversão de um cenário de superávit em uma situação de déficit estrutural.
Atualmente, aposentados e pensionistas são os mais afetados pela crise, diante da incerteza sobre a continuidade dos pagamentos sem a necessidade de aportes frequentes do Tesouro Municipal. Especialistas avaliam que a dependência de repasses extraordinários evidencia o esgotamento do modelo previdenciário adotado.
O caso ganha dimensão além da esfera administrativa e passa a ser tratado como um problema de gestão pública, levantando questionamentos sobre responsabilidade fiscal, transparência na aplicação dos recursos e a sustentabilidade do sistema previdenciário municipal no longo prazo.





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