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Macapá ,17/04/2026

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Argentinos recorrem à carne de burro diante de crise econômica

Com o preço da carne bovina cada vez mais alto, população argentina procura alternativas


Argentinos recorrem à carne de burro diante de crise econômica Presidente da Argentina, Javier Milei (Foto: Agustin Marcarian/Reuters/Arquivo)

O aumento acelerado dos preços da carne bovina na Argentina, em meio à crise econômica sob o governo de Javier Milei, tem levado consumidores a substituir o produto por alternativas mais baratas, como a carne de burro, que começa a ganhar espaço no mercado. De acordo com reportagem do Página/12, o aumento dos preços tornou a carne bovina um item de luxo no país, frustrando promessas de campanha de redução de valores e alterando profundamente os hábitos alimentares da população.

Nos últimos meses, os preços subiram de forma acentuada, com alta superior a 10% em apenas um mês, e cortes comuns chegando a ultrapassar 25 mil pesos por quilo. Diante desse cenário, famílias passaram a reduzir o consumo, migrando inicialmente para frango e carne suína — opções que também ficaram mais caras — e, posteriormente, para alimentos ainda mais baratos, como ovos.

A crise econômica se insere em um contexto mais amplo de inflação persistente. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou alta de 3,4% em março, acima dos 2,9% de fevereiro, marcando o maior nível em um ano. No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 32,6%.

Desde que assumiu a presidência, em dezembro de 2023, Javier Milei implementou um amplo programa de reformas econômicas. Entre as medidas, estão a paralisação de obras federais e a suspensão de repasses para as províncias, além da retirada de subsídios em áreas como energia, transporte e serviços essenciais, o que contribuiu para a elevação dos preços ao consumidor.


Em meio à escalada dos preços, surgiu a proposta de comercializar carne de burro, vendida por cerca de 7.500 pesos o quilo. O açougueiro Gonzalo Moreira, de Buenos Aires, descreveu os efeitos da crise sobre o setor. “Estamos enfrentando uma recessão importante. Não conheço comerciante que não esteja passando por dificuldades. O setor está sendo muito pressionado, mesmo sem grandes variações de preço. Tudo é pago com cartão, empurrado para frente”, afirmou à Rádio 750.

Ele também destacou mudanças no comportamento dos consumidores: “E a comida também começa a ser paga em parcelas. A gente vai reorganizando as vendas. As pessoas deixaram a carne bovina, que caiu cerca de 20% nas compras, e passaram para o porco ou o frango. Um quilo de carne bovina custa entre 15 mil e 18 mil pesos. Já o porco fica entre 8 mil e 9 mil pesos”.

Sobre a carne de burro, Moreira reconheceu o papel da alternativa diante da necessidade. “Se for para enfrentar a necessidade diária, não digo que seja o melhor... Mas há pessoas que ao menos podem ter acesso a esse tipo de alimento”, disse.

Ele também expressou resistência cultural ao consumo: “Não estou de acordo. Acho que não quero comer um burro. Estamos acostumados a comer vaca. Mas, se tiver que levar isso para outro lado... Ninguém gosta de comer coelho, mas se come há toda a vida”.

A iniciativa partiu do produtor rural Julio Cittadini, criador do projeto “Burros Patagones”. Segundo ele, a procura superou as expectativas. “O que colocamos à venda acabou em um dia. Em um dia e meio não restou nada”, relatou.

O empreendimento conta com autorização do Ministério da Produção de Chubut e segue normas sanitárias, sendo uma atividade formal dentro do setor agropecuário.




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