Centro Raimundo Nonato celebra Dia Mundial de Conscientização do Autismo com apresentações e 'acender das luzes' em Macapá
Alunos, familiares e educadores participaram de uma programação marcada por inclusão, cultura e conscientização.
Pais e responsáveis prestigiam as apresentações dos estudantes em um momento de valorização da inclusão e do talento dos alunos Professores, familiares e alunos do Centro Raimundo Nonato, unidade do Governo do Amapá, em Macapá, celebraram nesta quarta-feira, 1º de abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo com atrações culturais e o tradicional “acender das luzes”.
A cerimônia iniciou com palestras no interior da escola, seguida de apresentações criativas protagonizadas pelos próprios alunos, com música, teclado, banda e atividades voltadas à conscientização.
Protagonismo e emoção
Enquanto os estudantes se apresentavam, familiares registravam cada momento com fotos e vídeos. O orgulho era visível diante das apresentações dos pequenos artistas, em um ambiente marcado pelo sentimento de inclusão e pertencimento.
Ao final, o momento mais aguardado: o acender das luzes. A fachada da instituição foi iluminada em azul, simbolizando o autismo e reforçando a mensagem de conscientização.

De acordo com a diretora do centro, Nilzete Mendes, a ação já é uma tradição e tem como objetivo chamar a atenção da sociedade para a causa.
“No dia 2 de abril é comemorado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Aqui no centro, a gente acende a luz azul para marcar essa data, chamar atenção e valorizar políticas públicas para esse público”, frisou a gestora.

Centro Raimundo Nonato
O Centro Raimundo Nonato atende atualmente 565 alunos com deficiência, incluindo pessoas com autismo, deficiência intelectual, síndrome de Down, paralisia cerebral, deficiência múltipla, auditiva e física, de diferentes faixas etárias.
Os estudantes em idade escolar frequentam o centro no contraturno, onde recebem atendimento pedagógico especializado.
“Nosso trabalho é voltado para o desenvolvimento e a autonomia dos alunos, tanto pedagógica quanto familiar”, destacou Nilzete.
A unidade também conta com profissionais como psicólogo, fonoaudiólogo e fisioterapeuta, embora a demanda ainda seja maior que a capacidade de atendimento.
Além dos estudantes, o centro desenvolve ações voltadas às famílias, oferecendo orientações, encaminhamentos e apoio na busca por outros serviços essenciais.
O trabalho do centro também se estende à formação de professores, pais e comunidades escolares. Segundo a professora Arlete Favacho, o objetivo é ampliar o conhecimento sobre educação inclusiva.
“Nós trabalhamos na formação de professores da rede estadual, municipal e privada, além de pais e responsáveis. Ainda existem muitas dúvidas sobre como lidar com essas especificidades”, explicou.

Outro avanço importante foi a chegada de um ônibus, doado pela Secretaria de Estado da Educação (Seed), que permitirá maior participação dos alunos em atividades externas.
“Esse ônibus é de suma importância para nossos projetos, porque levamos os alunos para eventos e promovemos a socialização. Eles participam, cantam e se apresentam”, destacou a professora.
Inclusão e Conscientização
Para a gerente do Núcleo de Educação Especial (NEES), da Seed, Nelcirema Pureza, o evento reforça a importância da inclusão no dia a dia.
“Essa é uma data importante para que a sociedade conheça o autismo, mas mais do que isso, é preciso garantir atendimento e respeito à diversidade”, afirmou.

A programação, realizada anualmente desde 2007, conta com palestras e apresentações que envolvem toda a comunidade escolar.
História de vida
Entre as famílias presentes, a história de Washington Luiz, de 28 anos, emocionou o público. Ele é atendido pelo centro desde a infância.
A mãe, Ronilda Fernandes, conta que o filho chegou à instituição ainda criança, com dificuldades de comunicação.
“O Washington começou aqui com cerca de quatro anos de idade. Quando chegou, ele era um autista não verbal e ainda estava aprendendo a falar. Aqui ele se desenvolveu muito”, relatou.

Para ela, o Centro Raimundo Nonato vai além de um espaço educacional.
“Eu costumo dizer que aqui é a segunda família da gente. Foi onde conseguimos estruturar nossa vida com base no tratamento e no acompanhamento dele”, afirmou.
Ao longo de mais de duas décadas, Ronilda acompanhou não apenas o progresso do filho, mas também de outros alunos.
“Eu vejo evolução não só no meu filho, mas em muitos outros que passaram por aqui. Hoje ele fala, se comunica. Às vezes não é tão claro, mas a gente entende. Isso é uma vitória”, destacou.
Hoje, Washington continua frequentando o centro e participando das atividades.
“Eu gosto de estar aqui. Aprendo música, participo com os colegas. É muito bom”, disse Washington Luiz.
Entre apresentações, aplausos e luzes azuis, o evento reforçou a mensagem de que a inclusão se constrói diariamente, no olhar, no cuidado e nas oportunidades oferecidas a cada aluno.
O Centro Raimundo Nonato, do Governo do Amapá, segue como referência nesse trabalho, promovendo inclusão, desenvolvimento e apoio às famílias em todo o estado.






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