Primeiro trimestre do ano registra 13 atendimentos por HPV no Centro de Referência em Doenças Tropicais, em Macapá
Casos recentes mantêm alerta sobre a importância do diagnóstico precoce, vacinação e acompanhamento contínuo.
Nos três primeiros meses do ano, 13 atendimentos relacionados ao HPV foram registrados no Centro de Referência em Doenças Tropicais O Centro de Referência em Doenças Tropicais (CRDT) registrou 13 atendimentos relacionados ao HPV (Papilomavírus humano) apenas nos três primeiros meses de 2026, reforçando a necessidade de prevenção e tratamento da infecção, considerada uma das mais comuns entre pessoas sexualmente ativas.
Os dados mantêm a tendência observada nos últimos anos. Em 2025, a unidade contabilizou 62 atendimentos ao longo de todo o ano, o maior número comparado aos três anos anteriores. Em 2024, foram 35 casos notificados; em 2023, 25 casos, um a mais que em 2022.
Ao todo, o serviço soma 159 atendimentos relacionados ao HPV desde 2022, evidenciando a necessidade de atenção contínua por parte da população e dos serviços de saúde.

De acordo com a enfermeira Ana Cristina Carvalho, do setor de infectologia do CRDT, o HPV é altamente disseminado e, muitas vezes, silencioso.
“Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 80% das pessoas sexualmente ativas já tiveram contato com o HPV em algum momento da vida. É um vírus muito comum, mas que precisa de atenção, principalmente pelos tipos de alto risco”, explica.

Transmitido principalmente pelo contato direto pele a pele durante relações sexuais, o HPV pode se manifestar de diferentes formas. Os tipos de baixo risco estão associados ao surgimento de verrugas, enquanto os de alto risco podem evoluir para câncer, como o de colo do útero, além de afetar garganta e região anal.
Outro ponto de atenção é que a infecção pode permanecer sem sintomas por anos, o que dificulta o diagnóstico precoce.
“O vírus pode ficar adormecido no organismo sem causar sinais. Por isso, muitas pessoas acreditam que não estão infectadas, quando na verdade podem estar. Daí a importância dos exames preventivos”, alerta Ana Cristina.
O tratamento varia de acordo com cada caso e pode incluir acompanhamento clínico ou procedimentos simples, como a cauterização de lesões. Quando o diagnóstico é feito precocemente, as chances de controle da doença aumentam e os riscos de complicações diminuem.
No caso das mulheres, o exame preventivo é fundamental para detectar alterações. Já os homens também devem buscar avaliação médica regularmente, mesmo sem sintomas aparentes.
A prevenção continua sendo a principal aliada no combate ao vírus. O uso de preservativos durante as relações sexuais e a vacinação são as formas mais eficazes de proteção.
A vacina contra o HPV está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, antes do início da vida sexual. Adultos também podem se vacinar mediante avaliação médica.
“O ideal é que a prevenção comece cedo. A vacina é segura e eficaz e, aliada ao uso do preservativo, reduz significativamente os riscos”, reforça Ana Cristina.
A orientação é que, ao perceber qualquer alteração, como verrugas ou lesões, a população procure inicialmente uma UBS. Caso necessário, o paciente é encaminhado ao CRDT para acompanhamento especializado.
Diante do cenário, especialistas reforçam que informação, prevenção e adesão ao tratamento são fundamentais para conter o avanço do HPV e evitar complicações mais graves.






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